Comparação de métodos de triagem de apneia do sono: Dispositivos inteligentes nos despertam para o problema

O sono está em alta. Recentemente, vimos o lançamento de documentários de destaque sobre o tema, o surgimento de influenciadores do sono nas redes sociais e até o turismo do sono! Sim, isso existe.

Um dos grandes motores desse interesse crescente é o surgimento de dispositivos inteligentes que permitem monitorar o sono. Esses dispositivos estão oferecendo a muitos de nós novas perspectivas sobre nosso sono, e com um nível de detalhe inédito: dividem a noite de sono em categorias e pontuações fáceis de visualizar.

Com essas informações em mãos, as pessoas podem usar esses dispositivos para ajustar seus ciclos de sono, assim como os usariam para ajustar a dieta, a rotina de exercícios ou o nível de atividade minuto a minuto. Muito além de ajudar a contar quantas horas de sono REM elas têm, essas tecnologias também estão lançando luz sobre um dos distúrbios do sono mais prevalentes do mundo: a apneia do sono.

Uma companheira noturna de milhões de australianos

A apneia do sono envolve interrupções na respiração durante o sono. Essas interrupções podem durar de alguns segundos a minutos e ocorrer várias vezes ao longo da noite. O tipo mais comum é a apneia obstrutiva do sono (AOS), causada por uma obstrução das vias aéreas, geralmente quando o tecido mole da garganta se fecha durante o sono. Afetando até 38% da população, segundo algumas estimativas[1], a AOS atinge milhões de australianos e mais de um bilhão de pessoas no mundo, com um impacto proporcional sobre nosso sistema de saúde.

Os sintomas comuns durante o sono incluem ronco, sensação de falta de ar e baixos níveis de oxigênio no sangue. Ao acordar, as pessoas afetadas não se sentem descansadas por causa dessas interrupções, o que resulta em sonolência diurna excessiva e dificuldade de concentração. A condição também pode levar a problemas de saúde, como doenças cardiovasculares, pressão alta e diabetes. Em pacientes com essas comorbidades, os profissionais de saúde muitas vezes não detectam a apneia do sono subjacente – apenas um dos motivos pelos quais aproximadamente 80% das pessoas com AOS continuam sem diagnóstico e sem tratamento.

Uma nova era na detecção da AOS

Os mesmos dispositivos que fatiam sua noite de sono em sono REM, leve e profundo e entregam uma pontuação agora se propõem a ajudar a detectar sinais de apneia do sono.

No passado, aplicativos simples para celular usavam o microfone do aparelho para detectar o ronco e correlacioná-lo a um risco de apneia. Os recursos lançados recentemente nos smartwatches da Apple e da Samsung adotam uma abordagem diferente: medem os movimentos do usuário durante a noite com os acelerômetros integrados para detectar interrupções na respiração. Além disso, os relógios Samsung Galaxy Watch usam seus oxímetros de pulso integrados para medir os níveis de oxigenação do sangue.

Para gerar uma recomendação, o relógio precisa ser usado por um período determinado – duas noites consecutivas no caso dos relógios Samsung Galaxy Watch, e pelo menos 10 noites em um período de 30 dias no caso do Apple Watch. Esses dados são então processados por um algoritmo proprietário de aprendizado de máquina, que calcula se o usuário tem risco elevado de apneia do sono – os dois fabricantes fazem questão de ressaltar que qualquer recomendação do relógio precisa ser confirmada por um médico.

A apneia do sono em números

Os dois algoritmos foram avaliados em comparação com o padrão-ouro, a polissonografia (PSG) em laboratório do sono, e ambos obtiveram autorização da U.S. Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos EUA, como “seguros e eficazes” para “avaliar o risco de [apneia] do sono”.

Mas qual é a precisão desses sistemas? E quantas pessoas eles vão ajudar? Para responder a essas perguntas, analisamos os dados publicados pelas duas empresas, além de diversas fontes independentes.

Algoritmo de detecção
de apneia do sono
Falsos
negativos
Falsos
positivos
Precisão*
Apple*[2]
33.7%
1.5%
94.2%
Samsung[3]
8.9%
12.3%
88.1%

*Valores ponderados pela prevalência da população com apneia do sono leve ou sem apneia do sono.

Desempenho do algoritmo da Apple

A Apple otimizou seu algoritmo para minimizar alertas falsos e fez um bom trabalho nesse sentido. Em sua validação clínica, o algoritmo alertou por engano apenas 1,5% das pessoas com apneia do sono leve ou sem apneia (com ajuste pela prevalência de cada grupo). No entanto, essa abordagem avessa ao risco faz com que ele seja menos eficaz em alertar as pessoas que realmente têm apneia do sono. Entre as pessoas com apneia do sono moderada ou grave, 33,7% não receberam alerta! Por isso, muitas pessoas podem achar, por engano, que a ausência de notificação do smartwatch significa que não têm a condição, quando isso está longe de ser certo.

Desempenho do algoritmo da Samsung

O algoritmo da Samsung tem uma abordagem mais equilibrada: no estudo apresentado à FDA, alertou falsamente 12,3% das pessoas com apneia do sono leve ou sem apneia e deixou de alertar 8,9% das pessoas com apneia do sono moderada ou grave.

Barreiras à adoção

Há uma limitação muitas vezes ignorada nessas soluções para smartwatch: elas não têm alcance significativo. Apenas 17,3% dos australianos têm um smartwatch da Apple ou da Samsung, e muitos não o usam enquanto dormem. Por outro lado, 50,4% dos australianos têm um iPhone, o que faz dele o dispositivo ideal para democratizar o acesso aos testes de AOS.

Estamos lançando um teste simples para iPhone que identifica problemas de sono e fornece um resultado em poucos minutos.

Perguntas frequentes

Um smartwatch consegue detectar a apneia do sono?

Os algoritmos da Apple e da Samsung têm autorização da FDA para avaliar o risco de apneia do sono, e ambos são razoavelmente precisos: 94,2% e 88,1% em comparação com a polissonografia. Nenhum deles diagnostica a condição; os dois fabricantes afirmam que uma recomendação precisa ser confirmada por um médico.

Qual é mais preciso: Apple ou Samsung?

A Apple é mais precisa no geral (94,2% contra 88,1%), mas deixa passar muito mais casos: uma taxa de falsos negativos de 33,7% contra 8,9% da Samsung. Já a Samsung encaminha casos em excesso, com uma taxa de falsos positivos de 12,3% contra 1,5% da Apple. Eles falham em direções opostas.

Por que os smartwatches não são adequados para a triagem da força de trabalho?

Por dois motivos, e nenhum deles tem a ver com precisão. Apenas uma minoria de qualquer força de trabalho tem um dispositivo compatível, e essa posse não se distribui de forma aleatória. Além disso, um programa que exige de duas a dez noites de uso contínuo não será concluído por boa parte de quem o inicia, e os que menos concluem são justamente os trabalhadores em turnos, cujo risco é o mais alto.

Quantas noites de uso são necessárias?

Duas noites consecutivas no caso dos relógios Samsung Galaxy Watch; pelo menos dez noites em um período de 30 dias no caso do Apple Watch.

Algum método de triagem substitui o exame do sono?

Não. A polissonografia continua sendo o padrão de referência e o caminho para o diagnóstico. A triagem identifica quem deve ser encaminhado; ela não determina qual condição a pessoa tem.

A inovação da Optalert

Descobrimos um biomarcador que vai transformar a vida de milhões de pessoas com problemas de sono.

Referências:

[1] Senaratna CV, Perret JL, Lodge CJ, et al. Prevalence of obstructive sleep apnea in the general population: A systematic review. Sleep Med Rev 2017;34:70-81. doi: 10.1016/j.smrv.2016.07.002. Search PubMedobs

[2] Apple Inc., Estimating Breathing Disturbances and Sleep Apnea Risk from Apple Watch, 9 de setembro de 2024. Acesso em 21 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.apple.com/health/pdf/sleep-apnea/Sleep_Apnea_Notifications_on_Apple_Watch_September_2024.pdf

[3] U.S. Food and Drug Administration, Center for Drug Evaluation and Research. Samsung De Novo Classification Request for Sleep Apnea Feature, De Novo Summary (DEN230041), 31 de maio de 2023. Acesso em 21 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.accessdata.fda.gov/cdrh_docs/reviews/DEN230041.pdf

Facebook
Twitter
LinkedIn